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Praia, Maravilha em Festa
Paulo Codorniz e José Avelino S. Simões Borges
Debruçada sobre o mar,
A Ilha pasma de encanto
Vendo Agosto chegar,
A festa e o luar
Que lhe faz o manto.
Sobressaltada, a alegria
Invade a baía
E rasga a cidade,
E então, um mar de gente
Chega, de repente,
E põe-se à vontade;
Canta e dança na rua,
Faz versos à lua
Que a verdade é esta:
Não existe, nesta ilha,
Outra maravilha
Como a Praia em Festa.
A noite envolta em mistério
E em odores de frescura,
Profana o meu império,
Tira-me do sério,
Leva-me à loucura.
Entre a espada e a parede
Prendo-me na rede
Da nossa ternura;
O que vem à rede é peixe,
Que ninguém se queixe:
Festa é fartura.
Não me dês essa maçã
Que pela manhã
Se torna fetiche;
Se a Praia sai encantada
Até madrugada…
Olha que se lixe!
A marcha, passando alinhada,
Parece calçada
Bordada em beleza,
Com pedras negras de saudade
E alvas d’amizade
Que pomos à mesa.
Fecunda, de fogo e folia,
Farra, fantasia,
É feita feitiço.
Por isso, vem comigo à água
E afoga a mágoa
Deste reboliço;
Mata-me os desejos
E a sede de beijos
E sente o buliço.
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